16.10.03

Carla Camurati e suas criações

Na sala escura, olhinhos brilham esperando o filme começar. A ansiedade toma conta da cabeça desses pequeninos com idade entre quatro e doze anos, que aguardam com seus sacos de pipoca e copos de refrigerante o começo de uma sessão do 1º Festival Internacional BR de Cinema Infantil. Acompanhando de perto o sucesso de seu festival, Carla ainda encontra tempo para celebrar sua mais importante criação: Antônio, seu filho de apenas cinco meses.

Carioca, Carla mora e trabalha no Rio de Janeiro, e apesar de ter atuado em diversos trabalhos como atriz na televisão, é mais conhecida pela sua atuação como diretora do filme Carlota Joaquina – Princesa do Brazil, lançado em 1995. Realizado com um orçamento baixo e distribuído por um sistema diferenciado que a própria cineasta criou, seu primeiro longa-metragem bateu recorde de bilheteria em relação ao cinema nacional adulto nas duas últimas décadas, com mais de 1,3 milhão de espectadores. Em um momento em que a produção cinematográfica brasileira se encontrava praticamente paralisada, depois da extinção da Embrafilme durante o governo Collor, Carla foi lá e fez. Assim como também filmou em 1998 “La Serva Padrona” e em 2001 “Copacabana”.

Pipoca e refrigerante de graça

O 1o Festival Internacional BR de Cinema Infantil terá visitado 14 cidades brasileiras até 23 de outubro, ocupando 51 salas do Grupo Cinemark no Brasil. Nas cidades do Rio de Janeiro e Ribeirão Preto, uma parceria com o Canal Futura garantiu a produção de oficinas de animação para crianças e de capacitação para professores. A distribuição de dez mil ingressos para instituições carentes feita pela equipe de mobilização do Canal, com direito a pipoca e refrigerante de graça, garante o toque social do projeto.

Para chegar aos dez filmes de altíssimo nível da programação, Carla e sua equipe assistiram no total a mais de 300 filmes para fazer a seleção. “Assistimos vários filmes de diversos países e uma equipe junto comigo selecionou os mais adequados para o primeiro ano do festival”, lembra ela. O resultado são filmes de países como Argentina, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia e Holanda. Cada um deles recebeu uma classificação etária especial: a partir de quatro, oito, dez anos ou para todas as idades. Apenas dois filmes são legendados, para as crianças já alfabetizadas, e um dos filmes teve a própria Carla dublando a heroína.

A idéia do festival surgiu em uma visita a um evento em Estocolmo: “foi nessa viagem que vi a qualidade e a diferença de filmes infantis que jamais chegavam ao Brasil. O festival surgiu para mostrar para as crianças brasileiras o que é produzido no mundo, para que vejam as possibilidades existentes lá fora. Não se fala tanto em globalização? Queríamos fazer uma globalização da imagem, ampliando o olhar das crianças para a produção que é feita no mundo”, conta ela. Na Dinamarca, por exemplo, 25% da produção audiovisual deve ser obrigatoriamente dedicada ao público infantil.

Educação e entretenimento

Papais e mamães podem ficar bem tranqüilos ao levar seus filhos para o cinema. Por se tratar de filmes para crianças, a preocupação em exibir filmes com “conteúdo” acabou ocorrendo: “optamos por filmes que fossem divertidos e que trouxessem um conceito moral interessante. Ou que fossem instigantes e que levantassem discussões sobre sentimentos que as crianças têm”, conta Carla.

E o cinema pode servir como meio de auxílio à educação? Carla acredita que sim. “Eu creio muito no cinema como uma importante ferramenta na formação de crianças, a arte em si tem uma possibilidade muito grande de ajudar no processo educativo. Sabendo utilizar, ele pode ser uma ferramenta tão interessante quanto a literatura”, explica ela, que complementa: “a própria experiência na sala escura é muito forte. Lembro de quando era pequena e assisti ao filme Meu Pé de Laranja Lima. Gostei tanto que quis ver de novo, e ainda fiz trabalhos no colégio sobre ele”.

De acordo com Carla, existem mais de vinte milhões de crianças no Brasil e que não assistem nem a 3% da produção de audiovisual existente hoje no mundo: “o festival chega como uma forma de ampliar esse leque de opções, de mostrar diferentes percepções de onde vivemos. E de servir como uma alternativa ao que o mercado te oferece, porque apesar de não ser ruim, é muito seletivo”.

Preocupação com o mundo

Mesmo com a experiência recente da maternidade, Carla garante que sua visão de mundo e sua preocupação com a violência não mudou muito. “Na verdade, eu nunca perdi a virgindade dos meus olhos. Isso sempre me chocou, essa preocupação é latente em mim em muitos anos, não me acostumo com essa realidade”, desabafa. Não à toa seus projetos tentam sempre ter uma parte voltada para ações sociais, com o desenvolvimento de ações em escolas.

A mãe coruja, que estudou dois anos de biologia na UFRJ para desistir do curso e estudar teatro, ainda não sabe se vai interferir no momento em que Antônio tiver que escolher uma profissão: “ele ainda tem três meses, mas com seu gosto para música, tenho certeza que ele vai querer ser maestro”, brinca ela.

Enquanto aproveita para curtir muito o filho e o festival, Carla planeja montar ainda esse ano em Belo Horizonte a ópera O Barbeiro de Sevilha. A regência será do maestro Silvio Viegas, estreando em novembro no Palácio das Artes. Para o ano que vem, ela participará como atriz do filme Ele me Bebeu, de José Antônio Garcia, além de começar a filmar a versão para o cinema da peça O Mistério de Irma Vap, com os atores Marco Nanini e Ney Latorraca.


Apuração e texto: Débora Braunstein
Publicado na Revista do GNT – edição outubro/ 2003.

11.10.03

Testando... 1, 2, 3....

Primeira vez não é fácil para ninguém... De nenhum tipo... Espero que consiga deixar esse blog parecido comigo! E quem quer que tenha interesse tenha acesso às matérias que escrevi ou escrevo.