13.12.03

Com o Casseta não há quem possa!

Um símbolo de orgulho nacional é roubado por um grupo de ladrões pés-de-chinelo no prédio da CBF. A Taça Jules Rimet, conquistada pelas vitórias nas Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970, foi vendida e derretida para ser assumida como um dos maiores vexames da história do Brasil. Essa história absurda foi a inspiração do Casseta & Planeta para seu primeiro filme, que tem como pano de fundo a ditadura na década de 70.

“Estamos bastante ansiosos com esse lançamento, querendo que o público goste muito. Somos todos cinéfilos e é a nossa tentativa de entrarmos para o cinema, que é a alta-costura, sem virarmos veados. É também a primeira vez que esse período negro de nossa história é tratado com humor. A taça Jules Rimet era o Santo Grau para o Brasil”, conta o humorista Marcelo Madureira.

Roteiro a 14 mãos

Foram seis semanas de filmagens e cerca de cinco anos para chegar a um roteiro que agradasse a todos. Os humoristas se dividiram em três, para que cada parte do filme pudesse ser trabalhada em separado, por grupos. Depois eles trocavam os grupos e tudo era reescrito. “Definimos o roteiro e trabalhamos arduamente nele, como sempre, a 14 mãos”, conta Marcelo.

De acordo com o diretor do filme Lula Buarque de Hollanda, cada detalhe foi discutido: “ao contrário dos programas na televisão, a idéia era produzir uma história com começo, meio e fim. Como todos são redatores, eles possuem uma relação muito forte com a palavra. Você tem que virar um deles, vencer pelo argumento”, conta Lula, que estreou na direção de longa-metragem de ficção.

Humor nacional

O filme “Casseta & Planeta” chega em um bom momento no cinema, que desde a retomada teve poucas iniciativas de filmes populares e humorísticos. Com o fim da chanchada e dos filmes com Oscarito e Grande Otelo, o cinema nacional produziu poucos representantes desse tipo de humor: “existe uma demanda grande por esse tipo de filme. Vemos hoje o filme Os Normais arrebentando com sucesso de público. O filme Eu, Tu, Eles não é comédia, mas também acho engraçado”, conta Marcelo.

A idéia do grupo é produzir uma série de filmes, inaugurando a franquia cinematográfica Casseta & Planeta. Lula, que já conhecia parte do grupo desde a época de faculdade, sabe que a expectativa em torno do filme é grande: “tenho muita vontade de dirigir outro filme com eles, lançando um novo longa-metragem a cada dois anos”. Para Marcelo, a preocupação com tantos detalhes gerou uma espécie de “ourivesaria humorística”: “colocamos nele tudo da nossa vida e da nossa carreira. É a nossa primeira vez e demos o nosso melhor”, explica Marcelo, sem trocadilhos.

Apuração e texto: Débora Braunstein
Publicado na Revista do GNT – edição dezembro/ 2003.


1 Comments:

At 21 de agosto de 2004 02:20, Blogger Cris Passinato said...

Não vi, mas meu pai queria ver ó filme só por conta da participação do Capitão (conhecido dele), mas eu estava meio de mal de ver Casseta, daí nem fui ver.
Bjinhos,
Cris

 

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