13.6.04

Narciso é pouco

Diante do espelho, você se examina com uma autocrítica impiedosa. Pode ser a barriga, que já foi menor. Ou então aquelas ruguinhas ao redor da boca que nem batom esconde. Ou as famosas “bolsas” nos olhos, que dão um ar cansado para quem ainda pretende aproveitar muito a vida. Não é difícil para uma pessoa comum apontar uma característica no próprio corpo que gostaria de modificar, mas a sorte é que os avanços da medicina têm facilitado a vida de quem quer corrigir essas pequenas imperfeições.

De acordo com o doutor Luiz Mario Bonfatti, cirurgião plástico e secretário da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica do Rio de Janeiro, o Brasil é o segundo país com maior volume de cirurgias plásticas do mundo, só perdendo para os Estados Unidos. A maioria das cirurgias ainda é feita em mulheres, mas até mesmo os homens brasileiros representam uma parcela significativa de pacientes se comparados com outros países no mundo. Eles costumam optar pela lipoaspiração e blefaroplastia, cirurgia corretora das pálpebras.

Tratamentos

Para quem está interessado em passar por uma intervenção cirúrgica mas não conhece bem quais são as técnicas mais utilizadas atualmente, o cirurgião plástico Pedro Faveret explica que a lista de procedimentos a se recorrer é grande, devendo ser avaliada de acordo com cada caso em conjunto com o profissional especializado. Confira abaixo algumas das mais utilizadas:

Peeling Químico - Nos casos de face e pescoço com pouca flacidez de pele, apenas com uma ligeira perda no tônus, um tratamento com ácidos como o glicólico e o retinóico pode ser suficiente. Eles melhoram a elasticidade, o brilho e a qualidade da pele.

Toxina Botulínica – Mais conhecido como BOTOX, nome de uma marca comercial que vende a substância, ele provoca uma paralisia muscular temporária que pode durar de três a seis meses, atenuando rugas como pés-de-galinha.

Preenchimento – Para quando o paciente possui rugas um pouco mais profundas, como sulcos na pele permanentes, que não desaparecem com o rosto em repouso. O produto mais usado atualmente é o ácido hialurônico, com duração também de alguns meses.

Lifting facial / Ritidoplastia – A plástica na face é recomendada quando o paciente apresenta flacidez no rosto e pescoço, como embaixo do queixo. É uma cirurgia que envolve incisões na raiz dos cabelos na frente, contorna as orelhas e segue no couro cabeludo. É feito um descolamento da pele, em que são corrigidos a flacidez da pele e dos músculos e retirado o excesso com essas incisões. Pode ser associada com a cirurgia das pálpebras.

Lipoaspiração – Indicação em caso de gordura localizada, não deve ser usada como método de emagrecimento. Os lugares mais comuns são os culotes e barriga, sendo que neste caso pode ser necessária uma cirurgia de mini-abdome para que a pele não fique sobrando, como “pelancas”. A gordura é aspirada, podendo ser re-injetada para corrigir outros pontos – nesse caso, ela é chamada de lipoescultura. A residente de medicina Bárbara, de 26 anos, conta a sua experiência: “Fiz uma lipoaspiração na barriga há cerca de quatro anos, pois queria tirar as ´gordurinhas´. Já tinha tentado todas as dietas possíveis e imagináveis sem resultado, já que sempre sobra alguma coisa. Fiz com um médico amigo dos meus pais e fiquei muito satisfeita. Doeu muito pouco, os analgésicos resolveram. Fiquei com hematomas durante duas a três semanas, mas para que eles somam mais rápido indico algumas sessões de drenagem linfática”, indica.

Cuidado e fama

A fama dos cirurgiões-plásticos brasileiros é mundial mas, apesar disso, é preciso cuidado ao escolher com quem fazer a cirurgia. Uma das dicas é entrar em contato com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que faz um filtro ao cadastrar os médicos filiados. “Para ser membro, é preciso ter um currículo mínimo de dois anos de formação em cirurgia geral, três anos de cirurgia plástica e ser aprovado no exame para o título de especialista na Sociedade, que consta de uma prova escrita e oral. É a garantia mínima de uma formação adequada. A recomendação e indicação de outros pacientes também são muito importantes, procure conversar com alguém que já tenha sido operada por esse cirurgião”, alerta Pedro.

Apesar de todas as opções disponíveis, não é todo mundo que entra nessa onda, como relata a atriz e apresentadora Daniela Escobar: “Passar um creme é um tipo de ilusão que temos que ter, pelo menos para hidratar a pele, mas plástica jamais, minha vaidade não chega a tanto. Eu não faria nada dessas coisas mas tudo aquilo que a pessoa faz com critério e respeito ao próprio corpo é valido para que se sinta melhor. Pessoalmente, tenho medo que não dê certo e também temo a dor. Sou a favor da natureza, vou envelhecer enrugada, do jeito que sou”, declara.

Apuração e texto: Débora Braunstein
Publicado na Revista do GNT – edição junho/ 2004.


1 Comments:

At 18 de agosto de 2004 02:11, Blogger Cris Passinato said...

É realmente uma indústria da vaídade e mto cruel, pq facilita pra estilistas e pra mídia, fazendo reais ideais impossíveis de beleza e escravizando-nos em torno de uma saga pelo corpo perfeito, pela pele esticada, como se o tempo fosse o inimigo eterno da mulher.
A cada ruga denunciada, estria ou celulite estourando, barriguinha ou pneu aparente, uma ameaça à forca psicológica e a culpa.
Cirurgiões plásticos que devem ganhar mto com essa loucura e a indústria de cosméticos e maquiagem.
Tudo pra escamotear o que uma hora, um dia, qq momento vai ser mostrado e se for mesmo uma máscara, a decepção é ainda pior, isso que é chato.
Por isso que adoro andar de cara lavada, minhas roupas são básicas e bem despojadas e não sou escrava de meu corpo, infelizmente queria estar só dentro do meu peso por saúde, a beleza é mera conseqüência de um processo e de uma engrenagem harmoniosa que deveria estar demonstrando o qto minha mente estivesse bem, mas é isso aí, a vida tá tão corrida que a gente nem se cuidar como as estrelas podem, a gente pode... Mas há quem consiga e eu bato palmas, só isso que eu queria, meu peso, ihihihih...
Bjão,
Cris

 

Postar um comentário

<< Home